eco logico


Walden
Julho 9, 2008, 4:30 am
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Certamente bem mais determinado na escolha de seus propósitos, qualquer homem poderia tornar-se estudante e observador percuciente, pois sem dúvida sua natureza e seu destino despertarão interesse igualmente a todos.

Muito mais propícia do que uma universidade era minha casa, e não só ao pensamento mas também às leituras sérias. Conquanto eu estivesse fora do alcance da usual biblioteca circulante, sem dúvida nenhuma que estava sob a influência daqueles livros que circulam pelo mundo, cujos pensamentos foram primeiramente grafados em cascas de árvores e são agora simplesmente copiados, de tempos em tempos, em papel de linho.

Mais do que quando foram escritos, os livros devem ser deliberadamente e reservadamente lidos.

Meu pensamento é o de que, após ter sido alfabetizados, deveríamos ler o melhor da literatura e não somente ficar repetindo para sempre nosso bê-a-bá e nossos monossílabos, sentados a vida inteira na primeira fila da sala de aula. Satisfaz-se a maioria dos homens por conseguir ler ou ouvir outros lerem um único livro, a Bíblia, persuadidos provavelmente por sua sabedoria. Então, pelo resto de suas vidas põem-se a vegetar e a dissipar suas faculdades com aquilo que se chama de leitura fácil.

Alguns livros são menos tediosos que seus leitores. Deve haver palavras que se aplicam diretamente à nossa condição de leitor extremado, e que, se as pudéssemos realmente escutar e compreender, seriam mais salutares a nossas vidas do que as manhãs ou a primavera, e possivelmente dariam um novo alento à face das coisas. Quantos homens terão inaugurado uma fase de evolução marcante em sua vida após a leitura de um livro! Talvez exista o livro que explique tais milagres e revele-nos outros não menos interessantes. As coisas inexplicáveis de hoje provavelmente estejam grafadas em algum lugar.

As mesmas questões que nos perturbam, desorientam e confundem ocorreram, por sua vez, a todos os homens sábios. Não se omitiu nenhuma e cada um respondeu a elas, de acordo sua capacidade, por meio de suas palavras e de sua vida. Por outro lado, com a sabedoria desenvolvemos a tolerância.

Esse é o tempo de as aldeias se transformarem em universidades e de seus habitantes mais velhos serem os pesquisadores destas universidades, com tempo disponível – se demonstrarem positivamente condições – para se dedicar aos estudos liberais pelo resto de suas vidas.

A ação coletiva concorda perfeitamente com o espírito de nossas instituições. Por isso confio em que, sendo nossas condições mais favoráveis, nossos recursos se tornam maiores que os do nobre.

O que precisamos não é de nobres, mas sim de nobres aldeias de homens. Caso haja necessidade, deixemos de lado aquela ponte sobre o rio, o que nos obrigaria a dar uma pequena volta, mas, em contrapartida, construamos um arco de sabedoria sobre o abismo escuro da ignorância que nos isola.

(…)


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