eco logico


vida amor riso
setembro 23, 2011, 11:19 pm
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“Todo mundo está desejando, em seu coração, viver a vida totalmente, mas a sociedade não o permite, a cultura o impede, a religião o controla, a família corta suas asas. Em toda sua volta, existem pessoas cujo interesse é que você não viva totalmente: toda a exploração da humanidade depende disso.

Abandone o seu conhecimento, esqueça suas escrituras, esqueça suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Volte a nascer, torne-se inocente – e isso está em suas mãos. Limpe sua mente de tudo que não é seu conhecimento próprio, de tudo que é emprestado, de tudo que veio através da tradição, dos costumes, se tudo o que foi dado a você pelos outros – pais, professores, universidades. Simplesmente livre-se de tudo isso.

Você é tão sensível que até mesmo a menor folha de grama possa ter uma imensa importância para você. Sua sensibilidade deixa claro que a menor folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela. Sem essa folha de grama, a existência seria menos do que ela é. E essa folha de grama é única, insubstituível, ela tem sua própria individualidade.

E essa sensibilidade criará novas amizades para você – amizade com as árvores, com os pássaros, com os animais, com as montanhas, com os rios, com os oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica na medida em que o amor cresce, em que a amizade cresce.

Você já pensou que o maior diamante do mundo e um pedaço de carvão são a mesma coisa? Não existe diferença entre eles. De fato, o carvão foi submetido a pressão durante milhões de anos e se tornou um diamante. Apenas uma diferença de pressão, mas ambos são carbono, são constituídos do mesmo elemento.

Houve um lindo incidente na vida de São Francisco. Ele estava para morrer, e ele havia sempre viajado montado num burro, de um lugar para outro compartilhando suas experiências. Todos os seus discípulos se reuniam para ouvir suas ultimas palavras. As ultimas palavras de um homem são sempre as mais significativas que ele já falou, porque elas contem toda a experiência de sua vida. Mas os discípulos não puderam acreditar no que ouviram…

São Francisco não se dirigiu aos seus discípulos, ele se dirigiu ao burro. Ele disse: “Irmão, eu estou imensamente grato a você. Você tem me carregado de um lugar ao outro sem reclamar, sem jamais resmungar. Antes de deixar este mundo, meu único desejo é ser perdoado por você; não fui humano com você”.

Essas foram as ultimas palavras de São Francisco. Uma imensa sensibilidade; dizer para um burro “Irmão burro” e pedir-lhe perdão.



Walden II
julho 9, 2008, 5:49 am
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1. Nenhum modo de vida é inevitável. Examine o seu próprio de perto.

2. Se você não gosta dele, mude-o.

3. Mas não tente mudá-lo através da ação política. Mesmo que você consiga ganhar o poder, não poderá usá-lo mais sabiamente que seus predecessores.

4. Peça somente que o deixem em paz, para resolver os seus problemas a seu modo.

5. Simplifique suas necessidades. Aprenda como ser feliz com menos posses.

6. Construa um modo de vida no qual as pessoas vivam juntas sem brigar, num clima social de confiança ao invés de suspeita, de amor ao invés de ciúme, de cooperação ao invés de competição.

7. Mantenha esse mundo com sanções éticas brandas, mas efetivas, ao invés de polícia ou força militar.

8. Transmita a cultura eficazmente aos novos membros através de cuidados especializados às crianças e de uma tecnologia educacional poderosa.

9. Reduza o trabalho compulsivo ao mínimo, dispondo os tipos de incentivo sob os quais as pessoas apreciam trabalhar.

10. Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente.



Walden
julho 9, 2008, 4:30 am
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(…)

Certamente bem mais determinado na escolha de seus propósitos, qualquer homem poderia tornar-se estudante e observador percuciente, pois sem dúvida sua natureza e seu destino despertarão interesse igualmente a todos.

Muito mais propícia do que uma universidade era minha casa, e não só ao pensamento mas também às leituras sérias. Conquanto eu estivesse fora do alcance da usual biblioteca circulante, sem dúvida nenhuma que estava sob a influência daqueles livros que circulam pelo mundo, cujos pensamentos foram primeiramente grafados em cascas de árvores e são agora simplesmente copiados, de tempos em tempos, em papel de linho.

Mais do que quando foram escritos, os livros devem ser deliberadamente e reservadamente lidos.

Meu pensamento é o de que, após ter sido alfabetizados, deveríamos ler o melhor da literatura e não somente ficar repetindo para sempre nosso bê-a-bá e nossos monossílabos, sentados a vida inteira na primeira fila da sala de aula. Satisfaz-se a maioria dos homens por conseguir ler ou ouvir outros lerem um único livro, a Bíblia, persuadidos provavelmente por sua sabedoria. Então, pelo resto de suas vidas põem-se a vegetar e a dissipar suas faculdades com aquilo que se chama de leitura fácil.

Alguns livros são menos tediosos que seus leitores. Deve haver palavras que se aplicam diretamente à nossa condição de leitor extremado, e que, se as pudéssemos realmente escutar e compreender, seriam mais salutares a nossas vidas do que as manhãs ou a primavera, e possivelmente dariam um novo alento à face das coisas. Quantos homens terão inaugurado uma fase de evolução marcante em sua vida após a leitura de um livro! Talvez exista o livro que explique tais milagres e revele-nos outros não menos interessantes. As coisas inexplicáveis de hoje provavelmente estejam grafadas em algum lugar.

As mesmas questões que nos perturbam, desorientam e confundem ocorreram, por sua vez, a todos os homens sábios. Não se omitiu nenhuma e cada um respondeu a elas, de acordo sua capacidade, por meio de suas palavras e de sua vida. Por outro lado, com a sabedoria desenvolvemos a tolerância.

Esse é o tempo de as aldeias se transformarem em universidades e de seus habitantes mais velhos serem os pesquisadores destas universidades, com tempo disponível – se demonstrarem positivamente condições – para se dedicar aos estudos liberais pelo resto de suas vidas.

A ação coletiva concorda perfeitamente com o espírito de nossas instituições. Por isso confio em que, sendo nossas condições mais favoráveis, nossos recursos se tornam maiores que os do nobre.

O que precisamos não é de nobres, mas sim de nobres aldeias de homens. Caso haja necessidade, deixemos de lado aquela ponte sobre o rio, o que nos obrigaria a dar uma pequena volta, mas, em contrapartida, construamos um arco de sabedoria sobre o abismo escuro da ignorância que nos isola.

(…)




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